Gretta Rodrigues de Souza

Psicologia CRP.06-73942

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04/10/2009 - Geral
Vida organizada reduz o estresse
Com um conceito amplo sobre ordem, especialista afirma que a disciplina aumenta a produtividade e a qualidade de vida
O conceito de organização vai além de uma casa ou uma mesa bem arrumada. Trata-se também, e principalmente, de organizar o trabalho, estabelecer prioridades e fazer o que tem de ser feito sem perder tempo procurando aquela bendita anotação que você não lembra onde guardou.

Com isso, aumenta-se a produtividade e reduz-se o estresse. Reduzindo o estresse, conseqüentemente ganha-se em qualidade de vida. A conclusão é do especialista em administração de tempo e produtividade Christian Barbosa. Segundo ele, geralmente, o desorganizado está sempre atrasado com alguma tarefa.

“Manter as coisas no lugar ajuda, mas não tanto. A organização é mais complexa do que isso. É saber como se planejar, o que priorizar. Essa é a organização que dá mais resultado”, afirma.

Barbosa comenta que hoje as pessoas reclamam que não têm tempo para nada. De acordo com o especialista, na verdade o tempo existe, mas as pessoas fazem mau uso dele. “É preciso aprender a administrar esse tempo e focar naquilo que é realmente importante”, sugere.

Sem esse controle, o desorganizado dificilmente vai se redimir porque ele nunca terá em sua agenda uma folga para colocar a vida pessoal e profissional em ordem. Para mudar, primeiro tem de haver disposição em aprender como se faz a mesma coisa de maneira diferente.

Com isso, o trabalho de todo dia pode render mais porque você está focado nele e não se deixa dispersar facilmente. E as suas coisas não se amontoarão, seja em casa ou no escritório, porque você passou a acumular apenas o que é necessário e indispensável para seu serviço e procura não deixar objetos espalhados.

Não bastassem os pais reclamarem da falta de tempo, hoje em dia eles estão fazendo o mesmo com os filhos, ou seja, também estão transformando a vida deles numa correria sem fim. As crianças sempre têm alguma coisa para fazer. É curso disso, curso daquilo e o filho fica sem tempo para relaxar e estudar corretamente. Como conseqüência, eles deixam para estudar para a prova no último dia. Para Barbosa, o exemplo dos pais é muito importante para criar uma geração que preza pela organização em todos os aspectos da vida.
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‘Acho que estou ficando chato’, avalia jornalista

Uma mesa de trabalho que mais parece com uma montanha de entulho, com papéis amontoados, canetas e anotações espalhadas por todo canto e “coisas” guardadas que deveriam ter ido para a lixeira há muito tempo é um cenário que não faz parte da rotina do jornalista Bruno de Oliveira Sales.

A preocupação em manter um ambiente sadio e organizado não se restringe ao local de trabalho, ela é estendida também para o lar, doce lar. O esforço, no entanto, tem deixado Sales desconfiado. “Acho que estou ficando chato.” Aliás, esse é o conceito que muitas pessoas têm daqueles que procuram levar uma vida organizada.

Chato ou não, Sales nem pensa em desistir do seu jeito de ser. As vantagens, segundo ele, são inúmeras e servem como incentivo para continuar com seus hábitos, apesar do risco de ser classificado como um “chato”. “Procuro ser organizado para a própria otimização da minha vida”, justifica.

Esse negócio de ficar juntando “papelzinho” e quando precisa de uma anotação, de um telefone ou de um e-mail não encontra, não agrada o jornalista. Na opinião dele, é uma perda de tempo que pode ser evitada com um mínimo de planejamento e boa vontade.

Ele também procura levar essa preocupação para dentro de casa, mas não com tanta determinação. “Em casa, eu relaxo um pouco. Mas mesmo assim, procuro deixar minhas roupas sempre arrumadas”, diz. “Não é uma obsessão. Às vezes, também faço uma bagunça. Mas se acontecer de eu não encontrar algo que estou procurando, dou um basta e coloco tudo no lugar de novo”, relata.


Preocupação excessiva exige atenção

Como tudo na vida, organização e desorganização em excesso também fazem mal. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. A palavra de ordem é equilíbrio. Muitas vezes, quem excede não percebe o exagero. Por isso, é importante que pais e cônjuges fiquem atentos. Caso notem que a pessoa está extrapolando na preocupação com a organização ou é muito desorganizada, devem conversar e tentar mostrar que está havendo um certo exagero.

De acordo com a psicóloga Gretta Rodrigues de Souza, fazer essa observação pode ajudar a despertar a pessoa para o problema. E o quanto antes isso for feito, melhor. Como toda doença, quanto mais cedo for tratado o excesso de organização ou de desorganização, melhores serão os resultados.

Se o indivíduo não consegue mudar por conta própria, a psicologia pode ajudar. Quando o estágio está avançado, o transtorno tem de ser tratado com medicamentos e psicoterapia. Mas nem sempre os tratamentos dão resultado porque isso depende muito da vontade da pessoa em se curar. Quando não há essa vontade, não há sessão de psicoterapia que dê jeito.

Segundo a psicóloga, o nível de organização ou de desorganização é diretamente influenciado pela educação recebida pelo indivíduo e pelo meio onde ele vive. Tentar ensinar uma criança a ser organizada sem mostrar na prática como isso funciona, não dá certo. Segundo Souza, as crianças repetem com muito mais facilidade aquilo que elas vêem, e não o que escutam.

O sinal de alerta deve ser acionado quando a pessoa começa a se incomodar com pequenos desarranjos como um quadro torto na parede, uma roupa dobrada de forma diferente, um sapato virado, uma toalha fora do lugar, uma sujeira qualquer.

“Quando a pessoa está numa sala conversando com outros e não consegue prestar atenção naquilo que está sendo falado porque está preocupada com o quadro torto na parede, é preciso buscar ajuda”, afirma Souza.
Adilson Camargo