Gretta Rodrigues de Souza

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15/01/12 03:00 - Economia

Compra escolar: posso levar meu filho?

Para psicoterapeuta Gretta Souza, crianças não devem acompanhar os pais se não tiverem noção financeira mínima 
                                                                                                                                                                                                 Lilian Grasiela 

Com as férias dos filhos chegando ao fim, os pais já começam a se preocupar com a relação dos materiais escolares que serão usados neste ano letivo. E nessa hora, uma dúvida atormenta a maioria das famílias: Será que as crianças devem acompanhar os pais durante as compras para falar sobre as suas preferências ou a presença delas e suas escolhas, muitas vezes pautadas pela moda, acabam ‘pesando’ no orçamento?


Na opinião da psicóloga clínica e psicoterapeuta Gretta Rodrigues de Souza, é importante que os pais acompanhem a rotina dos filhos e conheçam seus principais gostos, personagens favoritos. Contudo, de acordo com ela, na hora das compras, dependendo da idade das crianças, o melhor mesmo é deixá-las em casa.

“Eu acho importante que a gente saiba as preferências dos filhos, mas não para comprar tudo aquilo que eles querem. De repente, só o que está dentro do orçamento para agradar um pouco aos filhos”, diz. “Mas na hora da compra mesmo, é aconselhável que não se leve os filhos junto porque eles ainda não têm esse discernimento (sobre os valores)”.

Para que as crianças tenham condições de participar desse processo de escolha, a psicóloga defende um diálogo aberto entre pais e filhos, que deve começar nos primeiros anos de vida. “Desde os 3, 4 anos, a gente fala que as crianças já conseguem ter uma noção do que é caro, do que é barato, observando o dia a dia dos pais”, explica. “Se é uma família que tem isso, ela não vai ter tanto problema em levar os filhos junto”.

Independentemente da presença deles, Souza destaca que é importante que os pais procurem atender alguns pedidos dos filhos, explicando que aquilo é o que pode ser comprado sem que o orçamento da família fique comprometido. “Eles vão ficar o ano inteiro com aquele material. É legal que tenha alguma coisa que seja aquilo que eles querem também. Não tudo, porque realmente vai ficar muito mais caro”, pontua.


Conversa boa

A professora Lúcia Benício, 36 anos, estava ontem em uma papelaria com a filha Julia Pardini Benício, de 7 anos. Contudo, o passeio tinha como objetivo encontrar um presente para um conhecido. A compra do material escolar da pequena foi feita há alguns dias, segundo a mãe, e sem a filha. “Ela queria vir, mas eu conversei com ela, expliquei e ela entendeu”, diz.

“Comprei aquilo que estava dentro do orçamento, um estojinho bonitinho, mas o material mesmo, acabei comprando do mais em conta”. A professora relata que também tem um filho de 4 anos, com quem é mais difícil chegar a um consenso. “Com ela ainda dá para negociar, mas com o menor não”, diz.

O agropecuarista Tiago Rodrigo Augusto Grano, 27 anos, veio de Pirajuí acompanhado da mulher e dos dois filhos, Kauan Grano, de 2 anos, e Augusto Grano Neto, de 9 anos, para comprar os materiais que serão utilizados pelas crianças neste ano letivo. “Eles escolhem porque é para eles, não é para a gente”, afirma.

O pai, contudo, admite que nem sempre é fácil driblar os pequenos. “Eu costumo fazer uma troca com eles para deixar uma coisa e levar outra”, revela. “Eles entendem em partes, mas entendem”. Durante a entrevista, o maior cutucou o pai para saber se poderia levar para casa uma borracha e um apontador. “Com esse é mais difícil”, entrega o agropecuarista.